Eu estava sozinha, mais uma vez. Jogada como se fosse um completo nada, o que eu era de fato. Eu não queria estar ali mas eu mesmo me obrigava a estar.
Eu precisava de muita gente que não pode me dar atenção nesse momento. Eu precisa de tudo que me desse atenção e eu não tinha.
Aquela dor remoía cada parte do meu corpo e eu simplesmente não conseguia acreditar o quão burra eu fui e o quão influenciável eu tinha sido por muitos anos da minha vida. Quem sabe não só com ele, mas a verdade é que eu passei toda a minha vida muito tranquila de mim mesma, mas de fato não sabia o que estava na minha cabeça naquele momento.
Era uma manhã de sábado e eu tinha acabado de sair do banho. Estava me arrumando e ao mesmo tempo espiava se nenhuma atualização no Facebook me fizesse instantaneamente parar o que eu estava fazendo e começar a ler. Isso movia meu dia completamente. Batom, rímel e um pouco de blush; peguei meu secador e comecei a arrumar meu cabelo. Parecia que todos na face da terra resolveram não compartilhar coisas legais naquela manhã, nenhum dos meus amigos estavam online. Gus estava trabalhando em uma nova música para a banda. Lika tinha acabado de entrar de férias da faculdade e fora viajar pela Europa, mas minha vida continuava a mesma.
Foi então que eu lembrei de um site onde você entra e conversa com pessoas estranhas de todos os lugares do mundo, um tal de Omegle. No início a ideia era aprender ou praticar uma língua nova, mas como tudo que aparece novo a galera chata tenta de alguma forma deixar chato, tinha muito pornô barato, muito cara fazendo coisas estranhas, muita gente bonita... até que eu finalmente acho um cara interessante e resolvi puxar conversa:
- olá =)
[...]
- então, outro dia eu conversei com um pinguim fantasiado de saci
- HAHA! ele digitava com o pé?
- SIM! e dançava tb!
- não é possível! vc tem as melhores histórias! hahaha!
- me adiciona no msn, você é a primeira pessoa legal que eu encontrei aqui (e a mais bonita tb :$) ed@unknow.com
- hahahahawnn (vergonha)
- não resisti, desculpa! culpa do pinguim!
- hauahuahau!!! aham! vou te achar lá sim ;***
Eu tinha me apaixonado, definitivamente. Para um pessoa que por muito tempo ficou sozinha, isso era o caminho para o paraíso. E eu pensei que tudo seria difícil, monótono e devagar. Até que eu passei bem pelo primeiro teste.
Eu me sentia muito estranha, como se não fosse a mim mesma, como se eu não estive ali ou em outro lugar do espaço. Eu me sentia mais eu. Eu estava amando.
Depois disso eu tentei me concentrar um pouco nas letras de música que o Gus tinha me mandado mais cedo, tentei criar uma melodia mas não conseguia pensar em muita coisa. Esse tal de Ed me deixou nas nuvens. E então meu celular apita e eu vejo que é uma mensagem instantânea da Lika, era uma foto da Torre Eiffel de um ângulo como se ela conseguisse tocar o topo da torre. Fiquei até certo ponto com inveja de não ter aceitado o convite e ter ido com ela, mas Gus precisa de mim aqui para resolver coisas burocráticas da banda, não hesitei e fiquei.
Resolvi não responder mas tive medo de que ela visse minha visualização, então mandei uma carinha feliz.
No grupo do Facebook ninguém tinha agitado para nada nesse final de semana, o que era um pouco chato passar a tarde toda em casa.
[...]
Eu estava sentada observando as crianças no parque aqui da represa. De certa forma me relaxava, porém eu não queria de maneira alguma pensar em banda, Ed ou viagens por aí.
Acendi um cigarro, abri uma latinha de energético e continuei a observar tudo, a natureza...
- É incrível como aqui é tão diferente não é? - essa voz me assustava e ao mesmo tempo me reconfortava, ela soava logo atrás de mim - Lá fora é tudo uma correria, pessoas atrasadas, tempo para cumprir, coisas para fazer... - vagarosamente ele se aproximara e sentara a meu lado. Era Caio - Eu adoro aqui, é tão tranquilo.
-Sim, é ótimo - tentei responder de uma forma a partilhar toda a filosofia dele. E era disso que eu mais gosta nele, no Caio. Ele conseguia extrair felicidade das coisas mais simples da vida - eu gosto de estar aqui as vezes.
Ficamos por muito tempo ali, parados, observando o que a natureza tinha de melhor. E o sol estava se pondo cada vez mais. Conversamos sobre muitas coisas até que enfim, tive que ir embora. Peguei meu carro no estacionamento, dei uma carona pra ele até o ponto de ônibus e segui caminho até em casa.
O que eu fiz foi ir direto para o computar, adicionei o carinha que tinha conhecido mais cedo, hoje. E por incrível que parece, ele estava online.
** Essa é uma adaptação a animação da MTV, Anna Bee.
Você também pode visitar meu blog pessoal: gusttavoearl.wordpress.com
Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens
27/09/2014
27/06/2014
Outra chance?
Postado por
Julianna Rioderguz
Imagem retirado do We ♥ it
De nome, Thomas, e seus 1,72 de altura. Ainda se lembrava do cheiro de seu perfume, aromado à madeira. Sua forma de pentear o cabelo para o lado esquerdo, o gel em excesso escorrendo para sua nuca. Era um homem atraente, embora não valesse nenhum vintém do impacto que seus grandes olhos azuis, e o efeito que causava nas mulheres.
Eles haviam terminado há pouco mais de um mês, deixando aos prantos o coração de Tonha. Arrasada, inconformada, e todos os adjetivos negativos que vocês puderem imaginar para essa desilusão amorosa que ela sofrera.
Na mensagem, Thomas se dizia arrependido e queria uma outra chance.
Uma outra chance de mostrar o quanto sou trouxa se eu cair nessa mais uma vez, pensou ela, irritada.
Dizia sentir saudades do seu beijo, e da forma como o amor dos dois fizera bem à eles, de um jeito que ele nunca mais conseguiria com ninguém que conseguisse causar nele todo o impacto que ele sentia por seu toque. Thomas sempre soubera as palavras certas para fazê-la delirar, assim como sabia que um sorriso seu derreteria até a pedra de gelo que havia se formado no coração dela.
Ela pegou o celular novamente, e releu tudo o que ele havia lhe mandado. Talvez ele não tenha sido tão ruim assim... e se dessa vez ele puder acertar? E se ele tiver realmente mudado?
Esses pensamentos a invadiam involuntariamente. Tentava não cair naquela tentação, mas a lembrança de seu toque a fazia delirar. Eu não posso fazer isso. Não posso, não devo, não vou me render ao doce sabor dos beijos dele, ou...
Antes que pudesse pensar duas vezes, ela respondera a mensagem.
Me encontre hoje pôr do sol, no local do nosso primeiro beijo.
Era o que dizia. Talvez não devesse ter tomado aquela atitude, não poderia se permitir quebrar a cara novamente, mas duvidava que ele se lembrasse daquele lugar. Ele não vai lembrar onde demos o primeiro beijo, não devo me preocupar com isso.
As horas pareciam séculos a passarem. Ela se arrumava com o ânimo de uma garota em seu primeiro encontro, mas parecia que era a primeira vez mesmo, novamente. Daquela vez, ela não queria parecer uma menininha frágil, mas uma mulher.
Saiu de casa, dirigindo seu carro no maior estilo "pronta pra batalha". Estacionou o carro, perto da barraquinha do tio da Raspadinha. Há anos ele estava ali, mas ela nunca se dera ao trabalho de perguntar seu nome, talvez fizesse isso em outra hora, se naquele momento não estivesse mais interessada em saber se o idiota do Thomas se lembrara daquele lugar que havia sido tão especial para ela. Para eles, na verdade.
Ali, foi o local onde ele havia levado ela, e dito que se ela fosse sua, ele seria o cara mais feliz do mundo. O lugar onde um dia fizeram juras de amor, as quais ele mostrara serem falsas quando descobriu sobre a outra. A pobrezinha da amante também não sabia de nada, nem que ele era comprometido, nem que as juras que fazia para uma, eram as mesmas que fazia para a outra.
Palhaçada, eu não deveria estar aqui. Seus pensamentos estavam quase se tornando revoltosos, quando viu ao longe, o sorriso que tanto conhecia.
Thomas estava andando em sua direção. Usava um terno escuro que enaltecia o brilho de seus olhos, o cabelo elegantemente desarrumado e um botão de rosas entre os dedos.
Se esse cretino quisesse me comprar com flores pra corrigir seus erros do passado teria que comprar a Floricultura toda. Pensou ela, entre alegre por revê-lo, e nervosa por não saber o que fazer.
- Fico feliz por você ter vindo. - ele disse, sorrindo intensamente com os olhos. Quem visse a cena, até pensaria que ele era um bom moço.
- Fico surpresa por você se lembrar de onde tivemos nosso primeiro beijo. - ela exclamou, cruzando os braços na frente do peito.
- Não consigo me esquecer de nenhum detalhe em relação à você. - disse ele, tocando em suas madeixas daquele jeito com que só ele conseguia fazê-la delirar.
- Thomas... - ela pegou sua mão, afastando de si. - Para com isso. Não vim aqui voltar com você. Só quero saber o que tem a me dizer.
- Eu quero outra chance. De te mostrar que dessa vez pode ser diferente. - ele tocou-a novamente, puxando seu corpo para si. Ele sempre tivera uma lábia boa, e isso a levara a um final mais triste do que todos os bons momentos que tinham vivido juntos. Tomou os lábios dela para si, e beijou-a.
Merda, merda, merda! Ela pensava enquanto se deixava ser consumida por aquela situação. Não poderia se deixar ser controlada por ele novamente. Ela se deixara ser sucumbida por todo o sentimento que ainda existia, e se entregou por alguns segundos.
Quando o beijo estava atingindo seu ponto máximo de prazer, ela o empurrou com força. Ele a encarou, surpreso.
- O que você tá fazendo? - questionou ele, confuso com a atitude dele.
Tonha o encarou de baixo à cima, com uma expressão facial de novo:
- Me desculpe. - respondeu ela, cuspindo cada palavra em sua face. - Mas eu sou muito pra você.
E deu meia-volta, sem nem olhar para trás, enquanto ele a encarava de jeito pasmo.
Talvez estivesse errada, mas sua consciência lhe dizia que foi o melhor a fazer, afinal, por que daria uma segunda chance para alguém que não soube nem aproveitar a primeira que teve?
Dizia sentir saudades do seu beijo, e da forma como o amor dos dois fizera bem à eles, de um jeito que ele nunca mais conseguiria com ninguém que conseguisse causar nele todo o impacto que ele sentia por seu toque. Thomas sempre soubera as palavras certas para fazê-la delirar, assim como sabia que um sorriso seu derreteria até a pedra de gelo que havia se formado no coração dela.
Ela pegou o celular novamente, e releu tudo o que ele havia lhe mandado. Talvez ele não tenha sido tão ruim assim... e se dessa vez ele puder acertar? E se ele tiver realmente mudado?
Esses pensamentos a invadiam involuntariamente. Tentava não cair naquela tentação, mas a lembrança de seu toque a fazia delirar. Eu não posso fazer isso. Não posso, não devo, não vou me render ao doce sabor dos beijos dele, ou...
Antes que pudesse pensar duas vezes, ela respondera a mensagem.
Me encontre hoje pôr do sol, no local do nosso primeiro beijo.
Era o que dizia. Talvez não devesse ter tomado aquela atitude, não poderia se permitir quebrar a cara novamente, mas duvidava que ele se lembrasse daquele lugar. Ele não vai lembrar onde demos o primeiro beijo, não devo me preocupar com isso.
As horas pareciam séculos a passarem. Ela se arrumava com o ânimo de uma garota em seu primeiro encontro, mas parecia que era a primeira vez mesmo, novamente. Daquela vez, ela não queria parecer uma menininha frágil, mas uma mulher.
Saiu de casa, dirigindo seu carro no maior estilo "pronta pra batalha". Estacionou o carro, perto da barraquinha do tio da Raspadinha. Há anos ele estava ali, mas ela nunca se dera ao trabalho de perguntar seu nome, talvez fizesse isso em outra hora, se naquele momento não estivesse mais interessada em saber se o idiota do Thomas se lembrara daquele lugar que havia sido tão especial para ela. Para eles, na verdade.
Ali, foi o local onde ele havia levado ela, e dito que se ela fosse sua, ele seria o cara mais feliz do mundo. O lugar onde um dia fizeram juras de amor, as quais ele mostrara serem falsas quando descobriu sobre a outra. A pobrezinha da amante também não sabia de nada, nem que ele era comprometido, nem que as juras que fazia para uma, eram as mesmas que fazia para a outra.
Palhaçada, eu não deveria estar aqui. Seus pensamentos estavam quase se tornando revoltosos, quando viu ao longe, o sorriso que tanto conhecia.
Thomas estava andando em sua direção. Usava um terno escuro que enaltecia o brilho de seus olhos, o cabelo elegantemente desarrumado e um botão de rosas entre os dedos.
Se esse cretino quisesse me comprar com flores pra corrigir seus erros do passado teria que comprar a Floricultura toda. Pensou ela, entre alegre por revê-lo, e nervosa por não saber o que fazer.
- Fico feliz por você ter vindo. - ele disse, sorrindo intensamente com os olhos. Quem visse a cena, até pensaria que ele era um bom moço.
- Fico surpresa por você se lembrar de onde tivemos nosso primeiro beijo. - ela exclamou, cruzando os braços na frente do peito.
- Não consigo me esquecer de nenhum detalhe em relação à você. - disse ele, tocando em suas madeixas daquele jeito com que só ele conseguia fazê-la delirar.
- Thomas... - ela pegou sua mão, afastando de si. - Para com isso. Não vim aqui voltar com você. Só quero saber o que tem a me dizer.
- Eu quero outra chance. De te mostrar que dessa vez pode ser diferente. - ele tocou-a novamente, puxando seu corpo para si. Ele sempre tivera uma lábia boa, e isso a levara a um final mais triste do que todos os bons momentos que tinham vivido juntos. Tomou os lábios dela para si, e beijou-a.
Merda, merda, merda! Ela pensava enquanto se deixava ser consumida por aquela situação. Não poderia se deixar ser controlada por ele novamente. Ela se deixara ser sucumbida por todo o sentimento que ainda existia, e se entregou por alguns segundos.
Quando o beijo estava atingindo seu ponto máximo de prazer, ela o empurrou com força. Ele a encarou, surpreso.
- O que você tá fazendo? - questionou ele, confuso com a atitude dele.
Tonha o encarou de baixo à cima, com uma expressão facial de novo:
- Me desculpe. - respondeu ela, cuspindo cada palavra em sua face. - Mas eu sou muito pra você.
E deu meia-volta, sem nem olhar para trás, enquanto ele a encarava de jeito pasmo.
Talvez estivesse errada, mas sua consciência lhe dizia que foi o melhor a fazer, afinal, por que daria uma segunda chance para alguém que não soube nem aproveitar a primeira que teve?
22/03/2014
Não foi suicídio! Parte 2
Postado por
Julianna Rioderguz
Acordei com o coração batendo mais forte. O suor em minha testa escorria pelas maçãs de meu rosto. Nada daquilo não passara de um pesadelo.
Vesti uma roupa qualquer, e prendi as madeixas no topo da cabeça. Cabelão só dá trabalho.
- Filha! Você precisa vir aqui. Tem umas pessoas querendo falar com você. - Minha mãe sussurrou, batendo levemente na porta de meu quarto.
- Já vou. - gritei, indo escovar os dentes.
***
- Quem é? - perguntei, aparecendo no balcão da cozinha.
- Sou o delegado Miller. - respondeu um homem baixo e grisalho, com brilhantes olhos verdes. - Este é o policial Ribeiro, encarregado pelos suicídios ocorridos nos últimos dias.
- Eu não estou entendendo. - disse eu, esfregando os olhos. - Quais suicídios? Não me lembro de nenhum nos últimos dias.
O delegado franziu o cenho, parecendo confuso.
Então, me entregou um jornal dobrado.
Oh, não! Era o mesmo jornal do meu pesadelo. Mas a foto da menina caída parecia bem pior. Meu corpo foi tomado por um intenso arrepio.
- Me desculpem. - disse, engolindo em seco. - Pensei que tivesse sido um pesadelo.
- É normal sonhar com algo assim. Você ainda deveria estar em estado de choque. - Disse o policial Ribeiro, tirando da bolsa outros três jornais, entregando-os à mim.
Todos apresentavam na primeira capa uma matéria sobre alguma jovem que havia se suicidado.
Todas tinham a mesma idade, cabelos longos e armados, e foram encontradas com as roupas amassadas.
- Uau! - Exclamei, achando incríveis aquelas coincidências.
- Todas aconteceram nos últimos dias? - perguntei, curiosa.
- No mês. - respondeu o delegado, ficando ao meu lado. - Esses suicídios aconteceram em uma ordem cronológica. O primeiro, foi dia 2 desse mês. O segundo, sete dias depois. E os outros suicídios vêm ocorrendo a cada sete dias, com o mesmo padrão de garotas. Mas em todos os casos, o último foi o único em que uma testemunha estava olhando para o lugar de onde havia se jogado. Não para o corpo. Mas para cima. - Ele fez uma pausa, concluindo seu pensamento, e continuou. - Você foi a única que percebeu que não havia sido um suicídio, mas um crime planejado. O que queremos com você, Belina, é que nos ajude a pegar esse assassino em série, antes que outra garota seja pega por ele.
Fiquei boquiaberta, sem saber o que dizer. Pelo visto, eu teria um problema enorme nas mãos.
Mas havia uma coisa que não se encaixava: Como eu poderia saber da manchete do jornal antes dela ter sido publicada?
Vesti uma roupa qualquer, e prendi as madeixas no topo da cabeça. Cabelão só dá trabalho.
- Filha! Você precisa vir aqui. Tem umas pessoas querendo falar com você. - Minha mãe sussurrou, batendo levemente na porta de meu quarto.
- Já vou. - gritei, indo escovar os dentes.
***
- Quem é? - perguntei, aparecendo no balcão da cozinha.
- Sou o delegado Miller. - respondeu um homem baixo e grisalho, com brilhantes olhos verdes. - Este é o policial Ribeiro, encarregado pelos suicídios ocorridos nos últimos dias.
- Eu não estou entendendo. - disse eu, esfregando os olhos. - Quais suicídios? Não me lembro de nenhum nos últimos dias.
O delegado franziu o cenho, parecendo confuso.
Então, me entregou um jornal dobrado.
Oh, não! Era o mesmo jornal do meu pesadelo. Mas a foto da menina caída parecia bem pior. Meu corpo foi tomado por um intenso arrepio.
- Me desculpem. - disse, engolindo em seco. - Pensei que tivesse sido um pesadelo.
- É normal sonhar com algo assim. Você ainda deveria estar em estado de choque. - Disse o policial Ribeiro, tirando da bolsa outros três jornais, entregando-os à mim.
Todos apresentavam na primeira capa uma matéria sobre alguma jovem que havia se suicidado.
Todas tinham a mesma idade, cabelos longos e armados, e foram encontradas com as roupas amassadas.
- Uau! - Exclamei, achando incríveis aquelas coincidências.
- Todas aconteceram nos últimos dias? - perguntei, curiosa.
- No mês. - respondeu o delegado, ficando ao meu lado. - Esses suicídios aconteceram em uma ordem cronológica. O primeiro, foi dia 2 desse mês. O segundo, sete dias depois. E os outros suicídios vêm ocorrendo a cada sete dias, com o mesmo padrão de garotas. Mas em todos os casos, o último foi o único em que uma testemunha estava olhando para o lugar de onde havia se jogado. Não para o corpo. Mas para cima. - Ele fez uma pausa, concluindo seu pensamento, e continuou. - Você foi a única que percebeu que não havia sido um suicídio, mas um crime planejado. O que queremos com você, Belina, é que nos ajude a pegar esse assassino em série, antes que outra garota seja pega por ele.
Fiquei boquiaberta, sem saber o que dizer. Pelo visto, eu teria um problema enorme nas mãos.
Mas havia uma coisa que não se encaixava: Como eu poderia saber da manchete do jornal antes dela ter sido publicada?
16/03/2014
"!Não foi suicídio!"
Postado por
Julianna Rioderguz
Dimunuí o passo, tentando acompanhar o ritmo de Anabela. Minha amiga era a melhor pessoa do mundo em dar conselhos amorosos, mas uma chata de galocha quando se tratava da própria vida.
- Ai, o Bernardo é tão perfeito. Aqueles músculos, aquele sorriso, aquela bunda... - Depois da palavra "bunda", eu geralmente não ouvia mais nada.
Sim, sou uma doida que gosta de bundas redondas e firmes. Me condene.
- Belina, você não tá prestando atenção. - Ela bufava comigo, sempre que eu entrava em meus devaneios, e não lhe dava toda a atenção que ela gritava por merecer.
- Me desculpe. Bundas me distraem fácil. - Comentei sarcástica, enquanto um sorriso de canto lhe aparecia no rosto, mostrando que já havia me perdoado.
Sentamos em um banco coberto pelas folhas secas da árvore. Não há lugar melhor para passar o tempo e jogar conversa fora do que uma praça qualquer. Algumas crianças brincavam na rua. Um prédio enorme ficava bem à frente de nossa visão.
- Cuidado com o caco de vidro! - ouvi uma criança gritar para outra, subindo na calçada do prédio. Pelo visto, a farra dos meus vizinhos havia sido boa, caso contrário não teriam quebrado tantas garrafas de bebida alcoólica na calçada.
- E o beijo dele, é dos Deuses. - Disse Anabela, concluindo um assunto do qual eu deveria estar prestando atenção.
- Imagino. Você só fala disso. - Contestei, tirando de meu bolso o celular que vibrava.
- E o perfume dele é tão gostoso, que... - Ana não parava de falar, e acho que nem tinha percebido ainda que eu não estava mais prestando atenção no que falava.
O sol praticamente ofuscava minha visão, mas olhei para o topo do prédio, como um caçador procurando sua presa. E foi ali que eu a encontrei. Uma jovem de cabelos longos e armados. Sua roupa amassada mostrava que passara longas horas dormindo, mas havia algo em sua expressão que me intrigava. Ela se aproximava mais da janela de seu apartamento, e tive a sensação de que aquilo não acabaria bem.
- Não! - Foi o meu grito silencioso ao ver a jovem se jogando da janela. Levantei-me no mesmo instante, correndo até o prédio. Ela se contorcia toda no ar, parecia não querer um fim tão dramático.
Seu corpo encontrou o fim no chão quando ela caiu sob os cacos de vidro da calçada. Olhei para baixo, e vi seu corpo inerte e ensanguentado. Olhei para cima, e encontrei um homem com a barba por fazer, e um grande sorriso de satisfação a lhe brincar a face. Ela não havia se jogado sozinha...
- Ei, olha isso! - Exclamou Ana atrás de mim, com uma expressão atônita no rosto. - Leia a primeira página.
- Tomei o jornal em minhas mãos, enquanto rostos curiosos apareciam para verem o que havia acontecido. A primeira página trazia uma grande notícia:
"Jovem se suicida em Prédio no Centro da Cidade, e tem seu rosto ferido por cacos de vidro."
Que título mais sem graça, mas arregalei os olhos ao ler aquilo. Havia uma foto grande que acompanhava a manchete. O corpo da menina, ela caída de bruços, com cacos de vidro para todos os lados. Ao lado do corpo, se encontrava uma garota de costas, olhando a cena. Aquela bunda eu reconheceria em qualquer lugar. Era a minha.
E a data de publicação do jornal, era a do dia seguinte...
- Ai, o Bernardo é tão perfeito. Aqueles músculos, aquele sorriso, aquela bunda... - Depois da palavra "bunda", eu geralmente não ouvia mais nada.
Sim, sou uma doida que gosta de bundas redondas e firmes. Me condene.
- Belina, você não tá prestando atenção. - Ela bufava comigo, sempre que eu entrava em meus devaneios, e não lhe dava toda a atenção que ela gritava por merecer.
- Me desculpe. Bundas me distraem fácil. - Comentei sarcástica, enquanto um sorriso de canto lhe aparecia no rosto, mostrando que já havia me perdoado.
Sentamos em um banco coberto pelas folhas secas da árvore. Não há lugar melhor para passar o tempo e jogar conversa fora do que uma praça qualquer. Algumas crianças brincavam na rua. Um prédio enorme ficava bem à frente de nossa visão.
- Cuidado com o caco de vidro! - ouvi uma criança gritar para outra, subindo na calçada do prédio. Pelo visto, a farra dos meus vizinhos havia sido boa, caso contrário não teriam quebrado tantas garrafas de bebida alcoólica na calçada.
- E o beijo dele, é dos Deuses. - Disse Anabela, concluindo um assunto do qual eu deveria estar prestando atenção.
- Imagino. Você só fala disso. - Contestei, tirando de meu bolso o celular que vibrava.
"Reunião amanhã, 8h. Não se atrase."Era de minha chefe do Departamento de Recursos Humanos. Ótimo, tudo o que eu precisava era mais uma reunião chata, com pessoas chatas, falando de coisas chatas. Amo meu emprego.
- E o perfume dele é tão gostoso, que... - Ana não parava de falar, e acho que nem tinha percebido ainda que eu não estava mais prestando atenção no que falava.
O sol praticamente ofuscava minha visão, mas olhei para o topo do prédio, como um caçador procurando sua presa. E foi ali que eu a encontrei. Uma jovem de cabelos longos e armados. Sua roupa amassada mostrava que passara longas horas dormindo, mas havia algo em sua expressão que me intrigava. Ela se aproximava mais da janela de seu apartamento, e tive a sensação de que aquilo não acabaria bem.
- Não! - Foi o meu grito silencioso ao ver a jovem se jogando da janela. Levantei-me no mesmo instante, correndo até o prédio. Ela se contorcia toda no ar, parecia não querer um fim tão dramático.
Seu corpo encontrou o fim no chão quando ela caiu sob os cacos de vidro da calçada. Olhei para baixo, e vi seu corpo inerte e ensanguentado. Olhei para cima, e encontrei um homem com a barba por fazer, e um grande sorriso de satisfação a lhe brincar a face. Ela não havia se jogado sozinha...
- Ei, olha isso! - Exclamou Ana atrás de mim, com uma expressão atônita no rosto. - Leia a primeira página.
- Tomei o jornal em minhas mãos, enquanto rostos curiosos apareciam para verem o que havia acontecido. A primeira página trazia uma grande notícia:
"Jovem se suicida em Prédio no Centro da Cidade, e tem seu rosto ferido por cacos de vidro."
Que título mais sem graça, mas arregalei os olhos ao ler aquilo. Havia uma foto grande que acompanhava a manchete. O corpo da menina, ela caída de bruços, com cacos de vidro para todos os lados. Ao lado do corpo, se encontrava uma garota de costas, olhando a cena. Aquela bunda eu reconheceria em qualquer lugar. Era a minha.
E a data de publicação do jornal, era a do dia seguinte...
28/12/2013
Amor juvenil
Postado por
Julianna Rioderguz
Não tinha a intenção de me apaixonar por ti, mas você surgiu para mim como uma ventania inesperada, bagunçando-me e virando minha vida do avesso.
Logo eu que já havia perdido as esperanças no amor, e de um dia encontrar a pessoa correta.
Logo comigo, que acreditava tem um coração de pedra, mas a realidade, ele apenas era um grandioso gelo, que esperava ser aquecido com uma brasa forte para se derreter.
E foi exatamente o que você fez, com seu calor fora do normal, um poder sobrenatural exercido sobre mim.
Não poderei jamais esquecer do dia em que nos conhecemos.
Era início da Primavera, as flores irradiavam a paisagem com sua beleza, as árvores cortando o caminho formavam uma trilha, e nela, bancos para os casais mais calorosos.
Estava eu em um parque, completamente sozinha e perdida. Uma alma escura que exibia tristeza, em meio à paisagem tão colorida e alegre.
Talvez eu tentaria mais tarde comprar minha felicidade, com mais uma dessas coisas banais que se encontram em qualquer esquina, mas, mal poderia imaginar que o motivo que me devolveria o riso era outro.
Cruzando seu caminho com o meu, você andava distraído e com um sorriso inocente no rosto.
Suas bochechas se definiam ao rir, enquanto mexia de forma espontânea em seu cabelo preto, o qual entrava em perfeito contraste com sua pele clara.
Tirou o óculos de sol para secar o suor que lhe brotava no rosto, e pude ver em sua pupilas o mais pelo tom de azul.
Se aqueles olhos fossem dois oceanos, não importaria em afundar-me neles, até que eu pudesse ter seu olhar completamente para mim.
Em uma atitude drástica, pensei em me aproximar dele e tomar seus lábios aos meus.
Calma, guria!
Mulher de atitude é uma coisa, oferecida é outra.
Jamais!
Tentei desviar meu olhar, mas meu pescoço não pareceu colaborar. Era como se não houvesse em mim mais domínio sobre meu próprio corpo. Eu era atraída à ele de tal forma, mas não era apenas pelo físico.
Cabelos escuros e olhos claros sempre foram minha combinação chave, mas havia em suas atitudes algo a mais.
O sorriso tímido a brindar-lhe os lábios. Seu olhar perdido e vago, vagando sem rumo para nenhum ponto específico.
Decidi sair daquele lugar. Admirar sua presença não levaria à nada, nem tentar conter o coração que me parecia saltar do peito.
Segui a trilha ainda sem rumo, quando por um segundo, senti duas mãos firmes a me segurarem. Era o tal garoto.
Seu cabelo estava mais revolto ainda. Se os meninos soubessem o quanto um cabelo bagunçado poderia ser charmoso...
- Você esqueceu sua blusa. - Disse ele, me estendendo o colete que trazia.
- Obrigada. - Respondi, tentando não gaguejar.
Ele se virou. Não sei o que tinha ele de tão especial. Se era o hálito refrescante, o jeito tímido ou o sorriso fofo, apenas sei que quando me devolveu o colete, levou consigo parte da tristeza que me acometia.
Foi assim que nossa história se iniciou, o final, só o acaso poderá dizer.
P.S.: Escrevi esse texto há muito tempo atrás (talvez anos), mas decidi postá-lo mesmo assim, após achá-lo perdido no meio de um caderno velho.
22/10/2013
Mais uma de amor
Postado por
Julianna Rioderguz
Desci a serra. O sol já se anunciava. As ondas do
mar vinham à toda intensidade em minha direção. Havia dormido mal, mas o que
não faço para um pouco de refúgio?
As olheiras pesavam em meus olhos, como duas bolsas
inchadas e vergonhosas de se mostrar. Não me importava naquele momento, só que
a brisa que irradiava em meu cabelo me fazia sentir uma sensação inexplicável.
Coloquei os fones de ouvido. Liguei na música a qual
não gostava até então, mas tinha tudo a ver com aquele clima.
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Senti uma sensação de vazio me percorrendo o
estômago. Tudo era tão mais simples quando nos conhecemos. As sensações
românticas que nunca passam. A primeira vez que fomos àquela mesma praia
juntos. Lembra-se?
Eu, uma simples garota que não tivera nenhum
namorado antes. Lembro que estava usando uma blusa regata branca com um
shortinho curto. A alça de meu biquíni se anunciava embaixo da blusa
translúcida. Era florido, e representava as cores do nosso amor.
Você, com aquele seu jeito de garoto desleixado,
bagunçava as madeixas loiras com uma das mãos, enquanto a outra me enlaçava
pela cintura, se aproximando para mais um beijo. Sua camiseta branca e sua
bermuda jeans. Como esquecer daquela mancha de sorvete que eu desastradamente
derrubara?
Então, me encarando com aquele olhar que só você
consegue (daqueles que penetram em seus olhos e remexem com tudo de bom que há
dentro de si, causando sensações únicas e maravilhosas), nos sentávamos
próximos de uma rocha qualquer, e você tocava violão para mim, minha música
favorita de uma banda de rock nacional.
O mais destrutivo das lembranças, não são as
memórias ruins. Brigas, discussões, tudo isso faz parte, e talvez tenham sido mais
um dos motivos que nos separaram. Mas o que me corrói por dentro é saber que
vivemos tantos momentos lindos juntos... que jamais voltarão. Não tem mais
jeito. Você se foi. Não dessa vida para uma melhor, mas desse país para outro.
Perseguindo seu sonho de estudar em uma renomada universidade.
Você fez o certo. Eu em seu lugar não teria pensado
duas vezes, mas aquela saudade ainda bate no peito e teima em me incendiar.
Sei que onde quer que esteja, ainda deve pensar em
mim. Deve lembrar-se de nós, mas talvez sem aquele amor todo de antes. Será que
pensa pelo menos com carinho? Espero que sim.
Desci para a praia com meus pés descalços, e a mesma
roupa que eu havia usado na primeira vez. Trouxe também seu violão, o qual
deixou comigo como lembrança.
O andar na areia me lembrava o nosso andar, quando
ainda caminhávamos na mesma direção. Sentei em uma rocha qualquer, e comecei a
tocar a minha música favorita de uma banda de rock nacional.
Em meu peito habitava a saudade. Meu coração clamava
por você. O último acorde da música não foi um adeus. Foi apenas a sensação de
que ficaríamos juntos novamente.
Não importavam quantos caras passaram por minha
vida, quantos ainda passarão. Sei que em algum lugar, em algum dia
descontraído, voltaríamos a nos reencontrar.
Essa era a esperança que ainda perdurava em meu
peito... só não sabia até quando.
11/10/2013
Não impeça...
Postado por
Julianna Rioderguz
Abro meus olhos e me deparo com o céu cinzento a combinar com o mais límpido azul do mar.
Sinto a brisa das ondas, e um cheiro que me deliciava por inteiro, vinha dos cravos. O vento a brincar com minhas madeixas escuras, invadiu meu corpo, permitindo à meu vestido que caia, exibindo um corpo nu pálido e magro.
Estou com frio. Sou invadida por um torpor que só de pensar em você sinto meu corpo se estremecendo, meus pelos se eriçando e uma terrível de tirar de mim todas as boas sensações que ainda me causa. Senti o frio passando por mim e, dando início a uma nova sensação, e desta vez era o medo de que nunca mais seus dedos me tocassem. Sentí o receio de nunca mais meus lábios possam tocar os seus, e, num misto de alegria e dor, nossas línguas entrelaçadas como se pertencessemos um ao outro.
Sinto uma lágrima gélida cair em minha face, delineando-me às maçãs do rosto, e passando diretamente por entre meus seios, tendo seu fim em meu umbigo. Minha visão está turva, o mar levara meu óculos, e junto com ele a esperança de encontrar-te novamente. As lágrimas realmente chegavam, não sinto mais seu gosto em me paladar, pois se fundiram com as águas violentas do mar.
Sim, não havia sentido em viver for para não ter você em meus braços novamente.
Estou afundando cada vez mais, não ouço mais as gaivotas. Minha visão se torna mais escura. Meus batimentos cardíacos batem acelerados em meu peito, mas sei que essa angústia que sinto está por acabar, pois minha respiração estava cessando.
Não respiro mais, me juntarei a ti? Ou o sacrifício de meu ser, fará com que respire sem a ajuda dos tubos que você sempre abominara?
Eu amo você e sinto agora mais do que nunca que esse amor perdurará pela eternidade.
Minha vida inteira passa diante de meus olhos. Será que já estou morta? Ou a morte ainda estava esperando para me acolher como uma velha amiga? E você, meu amor? Onde estás?
Sinto algo puxar-me. Não poderia ser a morte. Eram mãos humanas, firmes, que tentavam me tirar das profundezas do mar.
Tento gritar, mas meu esforço vem em vão.
Não, não, deixe-me aqui.
Mas eu não sou ouvida... sinto que uma voz dentro de mim gritava isso, pois em mim já não restavam mais forças para gritar, estava fraca, perdendo os sentidos, adormecendo...
Acordo deitada na areia. Há um corpo sobre o meu, cobrindo-o quase completamente. Ele chorava de emoção ao me ver acordando. Parecia querer me proteger...
Sinto tudo rodar. Minha cabeça dói e estou sentindo as pálpebras pesarem pela falta que meu óculos me faz. Angustiada, quero voltar para o conforto das águas turbulentas do mar, ali eu já não sentia mais nada. Ali, eu não queria pensar em mais nada.
O corpo que me cobre se mexe. Começa a gargalhar. Sinto que é um riso triste, mas alegre ao mesmo tempo.
-Por que fez isso Suzanne? -ele mostrava um sorriso de canto em seus lábios, mas pude perceber uma lágrima escorrendo-lhe pela face
Abro mais meus olhos, minha visão já não estava tão ruim quanto outrora, pois, pude ver claramente o rosto daquele que me salvara...
Era ele, a razão pela qual eu ansiava tanto a morte.
Não consigo conter o choro. Estou realmente morta. Nada mais me fazia sentido.
Pensara eu que fora salva, mas o que me acontecera foi justamente aquilo que tanto esperava: havia morrido, mas a morte que viera me buscar fou meu próprio amado. Aquele o qual trouxera-me a dor de sua morte, a liberdade de poder viver consigo.
E dessa vez, habitava em mim apenas a certeza de que finalmente, estaríamos juntos por toda a eternidade...
Para sempre... e sempre.
Sinto a brisa das ondas, e um cheiro que me deliciava por inteiro, vinha dos cravos. O vento a brincar com minhas madeixas escuras, invadiu meu corpo, permitindo à meu vestido que caia, exibindo um corpo nu pálido e magro.
Estou com frio. Sou invadida por um torpor que só de pensar em você sinto meu corpo se estremecendo, meus pelos se eriçando e uma terrível de tirar de mim todas as boas sensações que ainda me causa. Senti o frio passando por mim e, dando início a uma nova sensação, e desta vez era o medo de que nunca mais seus dedos me tocassem. Sentí o receio de nunca mais meus lábios possam tocar os seus, e, num misto de alegria e dor, nossas línguas entrelaçadas como se pertencessemos um ao outro.
Sinto uma lágrima gélida cair em minha face, delineando-me às maçãs do rosto, e passando diretamente por entre meus seios, tendo seu fim em meu umbigo. Minha visão está turva, o mar levara meu óculos, e junto com ele a esperança de encontrar-te novamente. As lágrimas realmente chegavam, não sinto mais seu gosto em me paladar, pois se fundiram com as águas violentas do mar.
Sim, não havia sentido em viver for para não ter você em meus braços novamente.
Estou afundando cada vez mais, não ouço mais as gaivotas. Minha visão se torna mais escura. Meus batimentos cardíacos batem acelerados em meu peito, mas sei que essa angústia que sinto está por acabar, pois minha respiração estava cessando.
Não respiro mais, me juntarei a ti? Ou o sacrifício de meu ser, fará com que respire sem a ajuda dos tubos que você sempre abominara?
Eu amo você e sinto agora mais do que nunca que esse amor perdurará pela eternidade.
Minha vida inteira passa diante de meus olhos. Será que já estou morta? Ou a morte ainda estava esperando para me acolher como uma velha amiga? E você, meu amor? Onde estás?
Sinto algo puxar-me. Não poderia ser a morte. Eram mãos humanas, firmes, que tentavam me tirar das profundezas do mar.
Tento gritar, mas meu esforço vem em vão.
Não, não, deixe-me aqui.
Mas eu não sou ouvida... sinto que uma voz dentro de mim gritava isso, pois em mim já não restavam mais forças para gritar, estava fraca, perdendo os sentidos, adormecendo...
Acordo deitada na areia. Há um corpo sobre o meu, cobrindo-o quase completamente. Ele chorava de emoção ao me ver acordando. Parecia querer me proteger...
Sinto tudo rodar. Minha cabeça dói e estou sentindo as pálpebras pesarem pela falta que meu óculos me faz. Angustiada, quero voltar para o conforto das águas turbulentas do mar, ali eu já não sentia mais nada. Ali, eu não queria pensar em mais nada.
O corpo que me cobre se mexe. Começa a gargalhar. Sinto que é um riso triste, mas alegre ao mesmo tempo.
-Por que fez isso Suzanne? -ele mostrava um sorriso de canto em seus lábios, mas pude perceber uma lágrima escorrendo-lhe pela face
Abro mais meus olhos, minha visão já não estava tão ruim quanto outrora, pois, pude ver claramente o rosto daquele que me salvara...
Era ele, a razão pela qual eu ansiava tanto a morte.
Não consigo conter o choro. Estou realmente morta. Nada mais me fazia sentido.
Pensara eu que fora salva, mas o que me acontecera foi justamente aquilo que tanto esperava: havia morrido, mas a morte que viera me buscar fou meu próprio amado. Aquele o qual trouxera-me a dor de sua morte, a liberdade de poder viver consigo.
E dessa vez, habitava em mim apenas a certeza de que finalmente, estaríamos juntos por toda a eternidade...
Para sempre... e sempre.
02/10/2013
O que é sentir ódio?
Postado por
Julianna Rioderguz
As lágrimas escorriam dos olhos de Lívia, que pensava se realmente faria
mudanças na vida de alguém se continuasse viva.
Lívia estava farta da hipocrisia e ignorância de sua mãe, que não a compreendia
e muito menos deixava espaço para que a filha depositasse algum tipo de
confiança nela.
Os pensamentos chegavam na cabeça de Lívia como luz, com 300.000k/s. E o ódio a consumia no mesmo tempo, deixando a garota cada vez mais atormentada do que a vida lhe trazia.
Lívia entrelaça os braços em volta de suas pernas, e com as costas apoiadas em seu guarda-roupa cor de anil que contém figurinhas colecionadas na infância, ela olha para a sua frente, onde se encontra o espelho que ganhara de sua avó quando estava com a alto-estima baixa e a própria lhe disse que era a garotinha mais linda e meiga que a sociedade já vira. Lívia apesar de não ter acreditado nas palavras da avó na época, nada disse, apenas agradeceu com um sorriso nos lábios. Lívia nunca fora uma menina que confiasse muito nas pessoas, sempre desconfiando fingindo que está confiando ela levava a vida.
Mas neste dia Lívia não confiava nem em si-própria, e desviando os olhos para o lado do espelho como que cansada de ver seus olhos tão afundados em lágrimas a ponto de enxergar tudo embaçado, ela observa as duas garrafas e vodca que estão depositadas lá. Não, a intensão dela não era se embriagar igual a mãe, e sim poder se matar com aquelas porcarias que a vida criara para destruir a felicidade que poderia existir em sua família.
Escorregando sua calça jeans favorita para perto das garrafas, Lívia cruza as pernas e respira fundo, querendo aliviar um pouco da tensão, e com plena certeza do que quer fazer, ela acata uma das garrafas e a ataca contra o peito. Sua dor era mais emocional do que física, e contorcendo os lábios, Lívia pega o maior pedaço de vidro que encontra no chão. Sua vontade não era apenas desfalecer, e sim acabar com quaisquer possibilidade de dor emocional ou ódio que já sentira novamente.
Lívia segura forte o caco de vidro contra a mão, tão forte a ponto de furar sua pele deixando escorrer sangue para todos os cantos. Seu rosto se preenche com uma expressão de ódio, e com as mãos firmes como pedra, Lívia rasga seu pulso sem dó nem piedade de si mesma.
Mas para ela aquilo não era nada, o que a percorria por dentro era maior que toda a dor física que poderia ter. Então ela nada satisfeita, olha para o teto branco de seu quarto, fechando os olhos e deixando cair uma lágrima que já estava armazenada a um tempo. A garota, contraindo os lábios, enfia o caco de vidro contra o peito, e abrindo os olhos lentamente, consegue enxergar sua mãe com cara de pânico. Lívia apenas cai para trás e solta um belo sorriso com lágrimas no rosto.
Os pensamentos chegavam na cabeça de Lívia como luz, com 300.000k/s. E o ódio a consumia no mesmo tempo, deixando a garota cada vez mais atormentada do que a vida lhe trazia.
Lívia entrelaça os braços em volta de suas pernas, e com as costas apoiadas em seu guarda-roupa cor de anil que contém figurinhas colecionadas na infância, ela olha para a sua frente, onde se encontra o espelho que ganhara de sua avó quando estava com a alto-estima baixa e a própria lhe disse que era a garotinha mais linda e meiga que a sociedade já vira. Lívia apesar de não ter acreditado nas palavras da avó na época, nada disse, apenas agradeceu com um sorriso nos lábios. Lívia nunca fora uma menina que confiasse muito nas pessoas, sempre desconfiando fingindo que está confiando ela levava a vida.
Mas neste dia Lívia não confiava nem em si-própria, e desviando os olhos para o lado do espelho como que cansada de ver seus olhos tão afundados em lágrimas a ponto de enxergar tudo embaçado, ela observa as duas garrafas e vodca que estão depositadas lá. Não, a intensão dela não era se embriagar igual a mãe, e sim poder se matar com aquelas porcarias que a vida criara para destruir a felicidade que poderia existir em sua família.
Escorregando sua calça jeans favorita para perto das garrafas, Lívia cruza as pernas e respira fundo, querendo aliviar um pouco da tensão, e com plena certeza do que quer fazer, ela acata uma das garrafas e a ataca contra o peito. Sua dor era mais emocional do que física, e contorcendo os lábios, Lívia pega o maior pedaço de vidro que encontra no chão. Sua vontade não era apenas desfalecer, e sim acabar com quaisquer possibilidade de dor emocional ou ódio que já sentira novamente.
Lívia segura forte o caco de vidro contra a mão, tão forte a ponto de furar sua pele deixando escorrer sangue para todos os cantos. Seu rosto se preenche com uma expressão de ódio, e com as mãos firmes como pedra, Lívia rasga seu pulso sem dó nem piedade de si mesma.
Mas para ela aquilo não era nada, o que a percorria por dentro era maior que toda a dor física que poderia ter. Então ela nada satisfeita, olha para o teto branco de seu quarto, fechando os olhos e deixando cair uma lágrima que já estava armazenada a um tempo. A garota, contraindo os lábios, enfia o caco de vidro contra o peito, e abrindo os olhos lentamente, consegue enxergar sua mãe com cara de pânico. Lívia apenas cai para trás e solta um belo sorriso com lágrimas no rosto.
* Texto escrito pela fofa da Anna Oliveira, leitora aqui do blog.
É para o e-book de crônicas que estou escrevendo com a ajuda de alguns amigos, e, claro, leitores também, hehe.
Caso tenha interesse em ver uma crônica ou texto seu aqui no blog e/ou no e-book (que assim que estiver finalizado, estará exposto gratuitamente no blog), entre em contato comigo através da página: Contato.
23/09/2013
Aproveitar a cada dia...
Postado por
Julianna Rioderguz
Seus olhos claros ganhavam forma a medida em que o Rímel lhe tocava os cílios, e com um traçado fino de delineador seu olhar se destacava.
Safira!
Um nome tão belo quanto sua face, mas tão misterioso quanto a dor que lhe acometia.
Seu sorriso puro e jovial lhe servia de disfarce. Se arrumava para esconder a dor, para fugir do amor e levar seus dias em harmonia.
Até quando aguentasse a luta, sem deixar-se ser vencida facilmente em nenhum dia de guerra que havia traçado contra si mesma.
Finalizava a sessão de beleza ajeitando as madeixas. Um lado parecia maior do que o outro, mas não havia importância para isso agora.
Nada mais importava!
Ensaiou na frente do espelho o sorriso mais bonito que conseguira dar, e, tomando sua mochila nos braços, seguiu o caminho da escola.
Há tempos não fazia aquele caminho, que tinha medo de que não a reconhecessem mais. Havia mudado, mas sempre existe algo maior que permanece.
Seus olhos cintilavam de alegria ao ver os rostos tão conhecidos, os quais , traziam tanta paz.
Seus amigos eram o melhor presente que poderia ganhar, e a presença deles naquele momento já era suficiente para causar-lhe uma reviravolta tremenda em sua superfície. Teve vontade de chorar ali mesmo, mas se conteve. As pessoas não precisavam saber. Ao menos não por ora.
A escola já começava a se tumultuar. Voltar de férias é estranho. Sentia que aos poucos já não pertencia mais àquele lugar. Àquelas pessoas.
Não recebera muita atenção. Não era popular, e as fofocas que rolavam pelos corredores eram mais importantes e fundamentais do que quererem saber como Safira estava indo. O que fizera e o quanto isso havia mexido com ela.
Tudo estava normal, a anormalidade estava nela, em suas atitudes.
Sua sala continuava lotada. Pelo visto, ninguém havia desistido ou os abandonado.
Menos mal, pensou ela. Queria a todos, inclusive aqueles com quem não conversava, perto de si.
O ritmo das aulas também era o mesmo, mas, embora ela pudesse notar que as atitudes de todos eram comuns para com ela, havia um sentimento diferente em seus olhares.
Seria angústia? Pena?
Não sabia ela, apenas que aquilo lhe causava uma certa aflição.
- Você está bem? - A voz vinha de sua esquerda. Eram os olhos castanho escuros de sua melhor amiga que brilhavam em sua direção, sua voz estava seca, mas soava como uma melodia para seus ouvidos.
Safira apenas balançou a cabeça afirmativamente, tentando convencer mais a si mesma do que à outra.
As aulas passaram rapidamente, e o tempo voando.
Já estava na hora de ir embora. O sono tomava conta de si, mas antes que pudesse ir, uma corrente de abraços a envolveu.
Era tão bom ser querida. Era tão bom ser amada, e era justamente por esse amor que ela levantava todos os dias.
A soltaram, então Karol, sua melhor amiga de olhos escuros, entregou a ela um bilhete.
- Sentimos sua falta. - sussurrou em seu ouvido, permitindo que Safira finalmente pudesse ir para casa.
O caminho não parecia tão longo quanto na ida.
Jogou sua mochila no sofá. Sua mãe já nem reclamava mais, havia se tornado um hábito.
Foi para seu quarto e trancou-se lá, deitando na cama.
Retirou do casaco o bilhete que recebera da amiga.
Nele havia apenas uma frase, mas foi suficiente para encher a seus olhos de lágrimas, as quais ela tentara conter o dia inteiro:
"Estarei contigo até o fim, minha irmãzinha..."
Safira segurava trêmula aquele pedaço de papel, enquanto em uma voz embargada pela emoção ela sussurrava:
- Infelizmente não estarei com você até o fim, amiga. - A tristeza lhe invadia, e já não havia motivos para se esconder atrás de sua maquiagem.
Tirou de seu rosto tudo aquilo que a impedia de ver a si mesma naturalmente.
Mas só faltava uma coisa. Com toda a delicadeza que ainda lhe restava, puxou as madeixas de perfeito cacheado, deixando à mostra a cabeça brilhante, de topo careca.
Se sentia nua. Se sentia horrível, mas nada poderia fazer para mudar sua condição.
Sem trocar de roupa, foi deitar-se, torcendo para que aquele não fosse o último dia que o câncer lhe permitisse viver.
Sabia que sua luta ainda não tinha chegado ao fim, e, enquanto houvesse forças, ela iria lutar, e viveria seus dias como se cada um fosse o último.
Até que o último chegasse.
Safira!
Um nome tão belo quanto sua face, mas tão misterioso quanto a dor que lhe acometia.
Seu sorriso puro e jovial lhe servia de disfarce. Se arrumava para esconder a dor, para fugir do amor e levar seus dias em harmonia.
Até quando aguentasse a luta, sem deixar-se ser vencida facilmente em nenhum dia de guerra que havia traçado contra si mesma.
Finalizava a sessão de beleza ajeitando as madeixas. Um lado parecia maior do que o outro, mas não havia importância para isso agora.
Nada mais importava!
Ensaiou na frente do espelho o sorriso mais bonito que conseguira dar, e, tomando sua mochila nos braços, seguiu o caminho da escola.
Há tempos não fazia aquele caminho, que tinha medo de que não a reconhecessem mais. Havia mudado, mas sempre existe algo maior que permanece.
Seus olhos cintilavam de alegria ao ver os rostos tão conhecidos, os quais , traziam tanta paz.
Seus amigos eram o melhor presente que poderia ganhar, e a presença deles naquele momento já era suficiente para causar-lhe uma reviravolta tremenda em sua superfície. Teve vontade de chorar ali mesmo, mas se conteve. As pessoas não precisavam saber. Ao menos não por ora.
A escola já começava a se tumultuar. Voltar de férias é estranho. Sentia que aos poucos já não pertencia mais àquele lugar. Àquelas pessoas.
Não recebera muita atenção. Não era popular, e as fofocas que rolavam pelos corredores eram mais importantes e fundamentais do que quererem saber como Safira estava indo. O que fizera e o quanto isso havia mexido com ela.
Tudo estava normal, a anormalidade estava nela, em suas atitudes.
Sua sala continuava lotada. Pelo visto, ninguém havia desistido ou os abandonado.
Menos mal, pensou ela. Queria a todos, inclusive aqueles com quem não conversava, perto de si.
O ritmo das aulas também era o mesmo, mas, embora ela pudesse notar que as atitudes de todos eram comuns para com ela, havia um sentimento diferente em seus olhares.
Seria angústia? Pena?
Não sabia ela, apenas que aquilo lhe causava uma certa aflição.
- Você está bem? - A voz vinha de sua esquerda. Eram os olhos castanho escuros de sua melhor amiga que brilhavam em sua direção, sua voz estava seca, mas soava como uma melodia para seus ouvidos.
Safira apenas balançou a cabeça afirmativamente, tentando convencer mais a si mesma do que à outra.
As aulas passaram rapidamente, e o tempo voando.
Já estava na hora de ir embora. O sono tomava conta de si, mas antes que pudesse ir, uma corrente de abraços a envolveu.
Era tão bom ser querida. Era tão bom ser amada, e era justamente por esse amor que ela levantava todos os dias.
A soltaram, então Karol, sua melhor amiga de olhos escuros, entregou a ela um bilhete.
- Sentimos sua falta. - sussurrou em seu ouvido, permitindo que Safira finalmente pudesse ir para casa.
O caminho não parecia tão longo quanto na ida.
Jogou sua mochila no sofá. Sua mãe já nem reclamava mais, havia se tornado um hábito.
Foi para seu quarto e trancou-se lá, deitando na cama.
Retirou do casaco o bilhete que recebera da amiga.
Nele havia apenas uma frase, mas foi suficiente para encher a seus olhos de lágrimas, as quais ela tentara conter o dia inteiro:
"Estarei contigo até o fim, minha irmãzinha..."
Safira segurava trêmula aquele pedaço de papel, enquanto em uma voz embargada pela emoção ela sussurrava:
- Infelizmente não estarei com você até o fim, amiga. - A tristeza lhe invadia, e já não havia motivos para se esconder atrás de sua maquiagem.
Tirou de seu rosto tudo aquilo que a impedia de ver a si mesma naturalmente.
Mas só faltava uma coisa. Com toda a delicadeza que ainda lhe restava, puxou as madeixas de perfeito cacheado, deixando à mostra a cabeça brilhante, de topo careca.
Se sentia nua. Se sentia horrível, mas nada poderia fazer para mudar sua condição.
Sem trocar de roupa, foi deitar-se, torcendo para que aquele não fosse o último dia que o câncer lhe permitisse viver.
Sabia que sua luta ainda não tinha chegado ao fim, e, enquanto houvesse forças, ela iria lutar, e viveria seus dias como se cada um fosse o último.
Até que o último chegasse.
16/09/2013
Doente de amor...
Postado por
Julianna Rioderguz
O cheiro que ela deixava quando passava era
semelhante ao de um roseiral em plena primavera. Seus cabelos negros combinavam em perfeita sintonia com sua pele
morena.
Seus lábios carnudos me enchiam de desejo de possuí-los apenas para mim e seus olhos verdes me banhavam como uma cachoeira límpida no verão. Como era bela. Dona de uma beleza arrebatadora que fascinava-me do primeiro momento em que olhava em meus olhos até mesmo quando não estava por perto.
Vê-la me deixava mais contente, alegrava-me o dia
e o pesar da noite, como desejava beijar-lhe até que ela se
derretesse em meus braços, como queria misturar-me a ela como o sal a água se
mistura, ah como queria, só Deus sabia.
As vezes que tentei me aproximar, mas foram tantas vezes falhas que ficava por lhe admirar de longe.
Quieto em meu canto, apenas apreciando a forma como caminhava suavemente, o quadril em perfeito sintonia com os braços, como uma modelo em um desfile de moda.
Seus gestos já me eram totalmente conhecidos. Nada me passava despercebido aos olhos, nem aquele sorriso que ela exibia quando estava preocupada, ou a forma como bagunçava o cabelo e logo após o ajeitava com os dedos entrelaçados nas madeixas, de forma tão casual e pueril, que nem mesmo ela deveria notar que o fazia.
Passava dias a desenhar seu perfeito rosto ,tirava fotos sem que notasse, fazia planos para conquistá-la Enviei-lhe flores, tulipas vermelhas, suas preferidas, e a cheirar o buque que recebia, ela se punha a sonhar... mas para meu desgosto e cólera, não comigo.
Achou que as flores que recebera eram de seu vizinho bonitão, o qual se aproveitara de meu anonimato, e passara a fingir ser seu admirador secreto.
Observar aquela situação de longe e sem coragem de gritar para todos ouvirem que eu é quem era apaixonado por ela, só me fez ter raiva. E, num instante, deixei de amá-la, para começar a odiá-la.
A odiava por nunca ter me notado, odiava a mim mesmo por não ter me pronunciado.
Meu desespero só fazia aumentar, especialmente naquela noite em que descobri para meu pesar que o tal do vizinho a pedira em namoro.
Fiquei desgovernado, fora de mim mesmo.
Peguei meu carro e fui para o bar mais próximo. Afogar as mágoas era-me a melhor opção.
Sai de lá sem pagar e com os olhos queimando de fúria. Dirigi até sua casa esperando o momento em que fosse sair com seu amado. Na calada da noite, ele aparece para pegá-la e fazer um passeio pelas ruas da cidade.
Aquela era a oportunidade ideal. Acelerei o carro. Não me importariam as consequências, tê-la fora de minha vida seria angustiante, então, sem pensar e sem conseguir enxergar meu caminho, atropelei o namorado de minha amada.
A bebida afetara-me seriamente, pois não havia previsto o pior: os dois estavam juntos.
Atropelei não só o sacana, mas também minha amada. Desci do carro cambaleando e a vi definhar em sangue. Sua cabeça estava completamente vermelha, e, segurando as mãos de seu vizinho, ela fechou os olhos, e dormiu profundamente pela eternidade.
Entrei no carro e fugi antes que pudesse racionalizar quanto ao que eu fizera, ou que alguém me descobrisse.
Fugi!
Nunca pensei que chegaria a esse ponto, mas,
consegui o alcançar, a ponto de amar um amor doentio que me leva a matar.
# Olá galera! Essa crônica foi escrita por uma amiga minha. Estou escrevendo um livro de crônicas e textos, então pedi para algumas amigas escreverem alguns para mim.
Caso você se interesse em ver sua crônica/texto publicado aqui no blog e/ou no livro (o qual não será exatamente publicado, deixarei-o em forma de e-book aqui) entre em contato comigo para mais informações: Contato Ser escritora.
31/08/2013
Je t'aime!
Postado por
Julianna Rioderguz
Enrosquei meus dedos dentro do apertado bolso de minha calça, procurando aquele maldito bilhete que havia recebido de manhã.
"Me encontre no Parque Bela Vista, preciso falar com você. Espero que compreenda,
Estarei te esperando próximo à barraca de cachorro quente, lembra-se dela?
Abraços,
Alberto."
Que cretino! Como eu poderia me esquecer das tardes ensolaradas em que eu e ele passeávamos pelo parque, nossos dedos entrelaçados, como dois jovens apaixonados, namorando no banco atrás da barraquinha de cachorro quente?
Lembro claramente do sol batendo em meus olhos, e da forma como Alberto me encarava fixamente e dizia que me amava. Costumávamos intercalar nossas conversas entre o português e francês. Talvez fosse uma dessas coincidências de casais, mas éramos apaixonados pelas mesmas coisas.
É angustiante falar isso no passado, mas ainda sinto aquela pequena reviravolta no estômago quando as lembranças me vêem à mente, e um arrepio estranho passa das unhas de meus pés até meu último fio de cabelo quando lembro de seu toque sob meu corpo.
Para de bobagens, menina! Se ele fosse tudo isso, não teria simplesmente sumido de minha vida durante meses, para depois simplesmente voltar como se nada houvesse acontecido. Atravessei a rua que dava para a Avenida Principal, e avistei ao longe a praça.
Fiquei nas pontas de meus pés, na inútil tentativa de avistá-lo ao longe. Claro que eu não conseguiria, mas fechei meus dedos tentando me controlar para o impacto que seria vê-lo novamente. Caminhei pela calçada, que, estranhamente não estava lotada de pessoas, e encontrei rapidamente a barraca de cachorro quente.
Curioso! Desde que saíra de minha vida, simplesmente não sentia o mesmo apetite por aquilo. Não me parecia tão romântico como outrora... a magia do lugar havia sido levada, assim como uma casa após um grande deslizamento de terra. Fui até o banco que ficara atrás da barraca, mas nada de Alberto.
Talvez ele tenha te enganado novamente, Charlotte! Bom, esse bolo apenas entraria para a pequena lista de decepções. Me virei para ir embora, mas um corpo atrapalhara minha passagem.
Um pouco mais alto do que eu, cabelos desalinhados e escuros, e incríveis olhos castanho escuro que me encaravam freneticamente, como se soubesse até mesmo de meus segredos mais íntimos. Tinha um leve bronzeado na pele pálida, que era o suficiente para aumentar seu charme quando deu aquele sorriso no canto dos lábios que eu tanto conhecia.
- Charlotte! - ele pronunciou meu nome como um locutor lendo uma declaração apaixonada.
- Alberto! - Exclamei, dando de ombros e revirando os olhos para cima.
- Você mudou! - Disse ele, com os olhos brilhando de ansiedade.
- Você não poderia esperar que encontraria a mesma Charlotte tonta de sempre.
- Não foi isso o que eu quis dizer. - Falou ele, me fazendo um gesto silencioso para que eu me sentasse naquele que costumava ser o nosso banco.
Durante alguns segundos, ficamos imóveis e mudos. Não sabia eu como deveria agir. Me levantar e ir embora? Perguntar o motivo daquele "encontro"? Optei pela segunda opção, mas acho que nossa telepatia ainda funciona em sintonia, pois ele se adiantou.
- Acho que você quer saber o motivo pelo qual te chamei aqui. - Começou, hesitante. - Sinto que não deveria ter feito isso com você. Eu queria fugir de mim mesmo, e acabei espantando você.
- Não me venha com esse papinho furado! - disse, me virando para ele e esbofeteando-o na cara. - Você acha que simplesmente pode voltar e ter tudo o que você quiser de volta? Olha aqui, Alberto, se você pensa que eu vou...
Mas ele fora mais rápido. Pegou meus braços, me enlaçou pela cintura e me deu um beijo morno, mas na temperatura ideal para me fazer lembrar como era estar em seus braços. Tentei me desvencilhar, mas seu impacto sobre mim era muito maior do que minhas forças e bom senso. Ele parou, me fixou nos olhos e puxou do bolso de sua jaqueta um pequeno lenço dobrado e o entregou para mim.
Peguei-o perplexa, e abri lentamente. Dentro dele, uma frase estava bordada acima de um pequeno coração dourado: Je t'aime!
- Você sabe que eu não acredito nisso...
- Não precisa acreditar quando o sentimento existe e é verdadeiro. - falou, cabisbaixo. Parecia envergonhado por algo. Ainda encarando seu tênis de marca desconhecida, me sussurrou. - Não queria que as coisas entre nós tivessem ocorrido dessa forma. Seria mais fácil se eu pudesse contar para você tudo o que sinto, os motivos que me fizeram ir... mas pode ter a certeza de que o único motivo que me fez voltar, foi por saber que eu poderia vê-la novamente.
Dessa vez, quem o surpreendeu fui eu, pois levantei sua cabeça com a ponta de meus dedos, e beijei-lhe suavemente. Não me importaria se fosse me arrepender mais tarde, mas o que eu queria naquele momento era manter esse contato entre nós.
O beijo talvez não tenha sido o melhor de toda a minha vida, mas, naquele momento foi o suficiente para salientar nossas almas e manter acesa, pelo menos por um instante, a chama daquele amor que um dia existiu. Que ainda existia!
"Me encontre no Parque Bela Vista, preciso falar com você. Espero que compreenda,
Estarei te esperando próximo à barraca de cachorro quente, lembra-se dela?
Abraços,
Alberto."
Que cretino! Como eu poderia me esquecer das tardes ensolaradas em que eu e ele passeávamos pelo parque, nossos dedos entrelaçados, como dois jovens apaixonados, namorando no banco atrás da barraquinha de cachorro quente?
Lembro claramente do sol batendo em meus olhos, e da forma como Alberto me encarava fixamente e dizia que me amava. Costumávamos intercalar nossas conversas entre o português e francês. Talvez fosse uma dessas coincidências de casais, mas éramos apaixonados pelas mesmas coisas.
É angustiante falar isso no passado, mas ainda sinto aquela pequena reviravolta no estômago quando as lembranças me vêem à mente, e um arrepio estranho passa das unhas de meus pés até meu último fio de cabelo quando lembro de seu toque sob meu corpo.
Para de bobagens, menina! Se ele fosse tudo isso, não teria simplesmente sumido de minha vida durante meses, para depois simplesmente voltar como se nada houvesse acontecido. Atravessei a rua que dava para a Avenida Principal, e avistei ao longe a praça.
Fiquei nas pontas de meus pés, na inútil tentativa de avistá-lo ao longe. Claro que eu não conseguiria, mas fechei meus dedos tentando me controlar para o impacto que seria vê-lo novamente. Caminhei pela calçada, que, estranhamente não estava lotada de pessoas, e encontrei rapidamente a barraca de cachorro quente.
Curioso! Desde que saíra de minha vida, simplesmente não sentia o mesmo apetite por aquilo. Não me parecia tão romântico como outrora... a magia do lugar havia sido levada, assim como uma casa após um grande deslizamento de terra. Fui até o banco que ficara atrás da barraca, mas nada de Alberto.
Talvez ele tenha te enganado novamente, Charlotte! Bom, esse bolo apenas entraria para a pequena lista de decepções. Me virei para ir embora, mas um corpo atrapalhara minha passagem.
Um pouco mais alto do que eu, cabelos desalinhados e escuros, e incríveis olhos castanho escuro que me encaravam freneticamente, como se soubesse até mesmo de meus segredos mais íntimos. Tinha um leve bronzeado na pele pálida, que era o suficiente para aumentar seu charme quando deu aquele sorriso no canto dos lábios que eu tanto conhecia.
- Charlotte! - ele pronunciou meu nome como um locutor lendo uma declaração apaixonada.
- Alberto! - Exclamei, dando de ombros e revirando os olhos para cima.
- Você mudou! - Disse ele, com os olhos brilhando de ansiedade.
- Você não poderia esperar que encontraria a mesma Charlotte tonta de sempre.
- Não foi isso o que eu quis dizer. - Falou ele, me fazendo um gesto silencioso para que eu me sentasse naquele que costumava ser o nosso banco.
Durante alguns segundos, ficamos imóveis e mudos. Não sabia eu como deveria agir. Me levantar e ir embora? Perguntar o motivo daquele "encontro"? Optei pela segunda opção, mas acho que nossa telepatia ainda funciona em sintonia, pois ele se adiantou.
- Acho que você quer saber o motivo pelo qual te chamei aqui. - Começou, hesitante. - Sinto que não deveria ter feito isso com você. Eu queria fugir de mim mesmo, e acabei espantando você.
- Não me venha com esse papinho furado! - disse, me virando para ele e esbofeteando-o na cara. - Você acha que simplesmente pode voltar e ter tudo o que você quiser de volta? Olha aqui, Alberto, se você pensa que eu vou...
Mas ele fora mais rápido. Pegou meus braços, me enlaçou pela cintura e me deu um beijo morno, mas na temperatura ideal para me fazer lembrar como era estar em seus braços. Tentei me desvencilhar, mas seu impacto sobre mim era muito maior do que minhas forças e bom senso. Ele parou, me fixou nos olhos e puxou do bolso de sua jaqueta um pequeno lenço dobrado e o entregou para mim.
Peguei-o perplexa, e abri lentamente. Dentro dele, uma frase estava bordada acima de um pequeno coração dourado: Je t'aime!
- Você sabe que eu não acredito nisso...
- Não precisa acreditar quando o sentimento existe e é verdadeiro. - falou, cabisbaixo. Parecia envergonhado por algo. Ainda encarando seu tênis de marca desconhecida, me sussurrou. - Não queria que as coisas entre nós tivessem ocorrido dessa forma. Seria mais fácil se eu pudesse contar para você tudo o que sinto, os motivos que me fizeram ir... mas pode ter a certeza de que o único motivo que me fez voltar, foi por saber que eu poderia vê-la novamente.
Dessa vez, quem o surpreendeu fui eu, pois levantei sua cabeça com a ponta de meus dedos, e beijei-lhe suavemente. Não me importaria se fosse me arrepender mais tarde, mas o que eu queria naquele momento era manter esse contato entre nós.
O beijo talvez não tenha sido o melhor de toda a minha vida, mas, naquele momento foi o suficiente para salientar nossas almas e manter acesa, pelo menos por um instante, a chama daquele amor que um dia existiu. Que ainda existia!
01/08/2013
Uma manhã qualquer...
Postado por
Julianna Rioderguz
“O trabalho humaniza as pessoas.”
Frase piadista do meu livro de Filosofia
06h25.
Sofia encarou o relógio com muito
pesar, mas a realidade estava à sua porta: deveria levantar para ir ao
trabalho.
Lavantou-se com o ânimo de um
zumbi andando, e foi lavar-se.
07h00.
O ônibus já estava chegando ao
ponto e ela olhou para a mensagem de texto que havia recebido de um amigo.
Ótimo, o dia seria apenas mais um como todos os outros.
Passou pela mesma paisagem, a
qual via todos os dias naquele mesmo horário, encontrou as mesmas pessoas de
sempre, que debatiam sobre os mesmos assuntos.
“Olha a cor do esmalte que eu to usando.“
“Briguei com o namorado, acho que vou largar dele.”
“Ontem choveu e acabou com a minha chapinha.”
“A passagem tá cara, né?”
Etc, etc, etc.
Mesmos assuntos, mesmas pessoas.
Sofia sabia que ela também
reclamaria da chuva que estragou seu cabelo, e que mandaria as mesmas mensagens
para as mesmas pessoas de sempre, pois seus assuntos raramente se divergiam.
Tomou o segundo ônibus, e dessa
vez foi sentada, olhando o caminho já familiar a seus olhos.
Pensou com lamúria no seu salário
que receberia naquele dia e nas formas de gastá-lo.
Acho que vou comprar um lanche na esquina. Outro dia compro um lanche
na rodoviária, e tenho que experimentar alguma lanchonete do centro... pagar
minhas despesas, comprar, guardar para o futuro...
Era desanimador pensar que após
começar a trabalhar, ela só pararia depois que sua vida tivesse passado, então
Sofia fazia de tudo para ter o mínimo de diversão garantida em seus dias.
Seu trabalho não era dos mais
pesados, ao contrário, era único e não exigia tanto esforço de si.
Olhou-se no espelho e ficou
insatisfeita com a imagem reproduzida.
Precisaria de uma hidratação no
cabelo também, pois sua situação estava precária.
A faxineira aparecera para limpar
sua sala, e ela sentiu a necessidade de puxar conversa. Não que achasse que era
a obrigação conversar com outras pessoas, mas Sofia gostava de manter o mínimo
de educação com todos.
Fora muito bem educada, por
sinal.
A outra mulher apresentava em sua
face marcas de que sua vida havia sido dura e sofrida, aparentando no mínimo 40
anos de idade. Mas como nada é o que parece ser, a mulher tinha apenas 26.
Sem sonhos, nem perspectiva de
vida, a faxineira mantinha o olhar baixo e era de poucas palavras. O sorriso
não parecia convir em seu rosto tristonho.
Sofia sentiu a súbita necessidade
de saber mais sobre a mulher, sua história de vida.
Queria conhecer as experiências
pelas quais ela passara e a transformara assim...
Ela, que se chamava Tatiane,
tinha um filho de nove anos de idade, e um marido desempregado em casa.
Um passado sofrido, e no final do
mês, o mesmo salário que Sofia recebia, mas no caso de Tatiane, era usado para
manter sua pequena família.
Sofia se sentiu subitamente
egoísta por desperdiçar tanto do que ganhava com coisas mesquinhas, enquanto
com o mesmo salário, uma mulher guerreira sustentava com muito pesar aqueles
que amava.
Mas será que havia cabimento em
se sentir assim?
Não era sua culpa se o mundo era
injusto com os menos favorecidos, ou que a mulher trabalhasse mais do que Sofia. Ou mais ainda,
pelo salário que a outra ganhava.
Não tinha culpa pelos problemas
do mundo, ela não o produzira, apenas nascera para ser habituada a ele.
Sua vida era forçosamente capitalista, mas
seus sentimentos eram de uma socialista que ainda tinha a grande esperança de
que um dia o mundo poderia mudar para melhor, e quem sabe nesse novo mundo,
todas as pessoas teriam seu valor exposto não apenas na conta bancária, mas na
forma de serem tratadas por outros.
O trabalho a havia humanificado,
pois acrescentara experiência de vida para sua bagagem de conhecimento, mas e a
pobre mulher, o que ganhara?
Seu trabalho era digno, mas seu
salário não pagava nem um décimo do valor que representava como pessoa.
Sofia tinha culpa disso? Não, mas
ela viu a necessidade de mudar seus conceitos de vida.
Não poderia ajudar a todos sem
antes ajudar a si mesma, mas de uma coisa ela estava certa: independente da
raça, cor, religião... ela ainda iria fazer algo que pudesse mudar a vida de
alguém, dando-lhe esperança de vida, e um motivo para continuar...
Ela queria muito isso, mas boas intenções não eram capazes de mover uma palha.
Aquela era a hora de mover-se e ajudar a pobre mulher.
Mais do que isso, Sofia estaria ajudando a si mesma, a se tornar humana...
05/07/2013
Doce desapego...
Postado por
Julianna Rioderguz
Sinto que quanto mais eu me distancio de você, mais feliz e liberta me torno.
É como permitir-me ser quem sempre fui novamente, mas com uma bagagem de conhecimento maior e mais experiente.
Ainda somos iguais? Os semelhantes que se tornaram estranhos um para o outro, vivendo a cada dia como se nunca tivessem se pertencido.
A vida toma rumos distantes, e aquele que parecera um "amor eterno" durou-se poucos meses.
Quase um ano, mas o tempo não apresenta a mínima importância quando o que era bom se acaba.
Estamos vivendo uma nova era, o futuro não aguarda aqueles que vivem presos em suas lembranças.
Para que reviver o passado em minha mente, quando posso trazer novas memórias para preencher o vazio que ficou em meu peito?
O desapego é um passo difícil a ser dado, mas depois que se começa a caminha em direção à um novo caminho, não olhamos mais para trás.
Vamos seguir nossos rumos, sem a instigação do que passou... somos jovens demais para permitir que o amor destrua nossos corações.
Para você, desejo toda a felicidade que um dia me deste.
Para mim, todo o amor que lhe dediquei e ficou perdido entre nós...
Um fim triste, mas a vida é bela demais para deixar que momentos cinzentos ofusquem o brilho de cada manhã.
"E agora, nos tornamos distantes... Somos como navios de guerra, cada qual com seu caminho e destino."
P. S.: O texto é parcialmente fictício (já que sempre existe um pouco de nós naquilo que escrevemos). Estou pensando em escrever vários textos e crônicas sobre diferentes tipos de amor, o que acham?
P. P. S.: Não me esqueci da resenha de Harry Potter e a Ordem da Fênix, é que olhando o blog, vi que as últimas postagens têm sido apenas sobre HP, então resolvi variar um pouco.
11/05/2013
Confessionário: Mico alheio!
Postado por
Julianna Rioderguz
Não serei protagonista, mas, como a pessoa a qual esse fato ocorreu faleceu há alguns anos, sinto-me na condição de contar o fato. O nome dos personagens será trocado, mas de qualquer nome, trata-se de meus avós paternos.
Boa leitura!
Mais uma manhã se anunciava no horizonte. Dentro do quarto, dormia tranquilamente Fernando, enquanto na cozinha sua esposa, Maria Lúcia, preparava o café da manhã.
Passava das 6h45 e Fernando ainda não havia acordado, quando eu um súbito impacto seus olhos se abrem em busca do relógio, ele se vê atrasado para o trabalho.
Em um pulo levanta da cama e após rapidamente escovar os dentes e trocar de roupa, pega sua bicicleta e sai para o trabalho, sem nem ao menos comer nada, apenas dando um leve beijo de despedida na bochecha de sua amada.
Uma leve brisa se anuncia, mas o frio não é absoluto.
Fernando sente em suas pernas o vento passando, mas não há tempo para se aquecer.
Ele pedala cada vez mais rápido, mas ainda nota os olhares lançados em sua direção por onde passa.
Algumas mulheres que já estavam na rua àquele horário buscando pão para suas famílias lançam nele um olhar que lhe aparentava ser interessado.
Com um sorriso lhe brandando nos lábios, ele continuava seu caminho.
Alguns minutos mais à frente, outras pessoas lhe encaravam do mesmo modo, mas dessa vez homens também.
Algo lhe parecia errado, mas como ele não poderia parar para questioná-los, pensou em apenas seguir seu caminho.
Quase chegando ao seu destino, Fernando procura pelo bolso da calça para pegar sua carteira, mas descobre o que havia de errado: ele estava sem calças.
Na pressa de sair de casa Fernando esqueceu-se das calças, ficando apenas de cueca e camisa na rua.
Isso aconteceu ao meu avô muitos anos atrás, mas é uma daquelas histórias de vida que seus pais lhe contam na infância e você nunca mais esquece...
Caso queria enviar o seu mico, ou de alguém que conheça, acesse a página "Contato".
E antes que eu me esqueça: O Ser escritora tem uma página no facebook (há muito tempo, por sinal).
Confira aqui: Ser escritora.
Em um pulo levanta da cama e após rapidamente escovar os dentes e trocar de roupa, pega sua bicicleta e sai para o trabalho, sem nem ao menos comer nada, apenas dando um leve beijo de despedida na bochecha de sua amada.
Uma leve brisa se anuncia, mas o frio não é absoluto.
Fernando sente em suas pernas o vento passando, mas não há tempo para se aquecer.
Ele pedala cada vez mais rápido, mas ainda nota os olhares lançados em sua direção por onde passa.
Algumas mulheres que já estavam na rua àquele horário buscando pão para suas famílias lançam nele um olhar que lhe aparentava ser interessado.
Com um sorriso lhe brandando nos lábios, ele continuava seu caminho.
Alguns minutos mais à frente, outras pessoas lhe encaravam do mesmo modo, mas dessa vez homens também.
Algo lhe parecia errado, mas como ele não poderia parar para questioná-los, pensou em apenas seguir seu caminho.
Quase chegando ao seu destino, Fernando procura pelo bolso da calça para pegar sua carteira, mas descobre o que havia de errado: ele estava sem calças.
Na pressa de sair de casa Fernando esqueceu-se das calças, ficando apenas de cueca e camisa na rua.
Isso aconteceu ao meu avô muitos anos atrás, mas é uma daquelas histórias de vida que seus pais lhe contam na infância e você nunca mais esquece...
Caso queria enviar o seu mico, ou de alguém que conheça, acesse a página "Contato".
E antes que eu me esqueça: O Ser escritora tem uma página no facebook (há muito tempo, por sinal).
Confira aqui: Ser escritora.
Assinar:
Postagens (Atom)

.jpg)













