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07/05/2017

Rioderguz: E se não houver outra vida?

Cresceu ouvindo dizerem
que deveria estudar,
para uma vida melhor
ter
em um futuro
incerto.

Que cresceria,
casaria,
teria filhos,
e morreria.

No meio tempo,
frustração
e um emprego
que garantiria
seu sustento.

Como se a vida,
viesse com um manual de instruções,
e todos devessem se encaixar
nesse molde tão estreito.

Acreditava em vida
após a morte,
pois o tempo que aqui tinha
não lhe era completo.

Passava seu tempo
cumprindo as obrigações
que nunca fez questão de fazer parte,
para numa hipótese remota
poder viver tudo
que não viveu
em uma outra vida
que nem sabia
se um dia
chegaria a viver.

E se,
no final de tudo,
não houver outra vida?

Essa ele poderá
dizer
que viveu,
ou apenas existiu
enquanto passava por ela?

16/04/2017

Rioderguz: Você é mais do que isso

Você não é isso.
Não é sua altura,
seu peso,
sua cor,
seu signo,
seu nome,
nem sua idade.

Você é a curvatura
do teu riso,
a sinceridade
em seu olhar,
os livros que leu,
os filmes que assistiu,
as pessoas
que por sua vida passaram.

08/04/2017

Rioderguz: Se não agora, quando?

Você me disse que não é agora,
que o tempo
hoje não colabora
é melhor deixarmos de passatempo.

Que o nosso velho clichê
foi além do que devia
e mesmo sem entender porquê
eu te deixava e ia.

Se não agora, quando?
Existirá um tempo certo,
onde as galáxias
entrarão em alinhamento,
onde os planetas
estejam em eclipse,
onde o pó da lua
ilumina eu e você,
e poderemos ficar juntos?

Existirá
em um futuro incerto
um tempo certo
para todas as incógnitas do passado
serem desvendadas?

Não quero esperar
o tempo que nem sei
se irá chegar.

Se não agora, quando?
O futuro que você aguarda,
eu vou pontuando,
e você acovarda.

Se não agora,
não existirá depois.

12/03/2017

Rioderguz: Ao irreverente doce amargo

A gente se apega, não é?
Num abraço,
num sorriso,
num riso solto
espontâneo
e deixado livre ao vento.

A gente se apega
às memórias frescas,
a uma tarde em um parque,
uma noite mal dormida
com o ex-amor,
ao que passou há pouco,
e àquelas memórias
que já não estão assim
tão nítidas.

07/03/2017

Rioderguz: Uma estação


Minha arte palpita por ti;
Vou de Ipanema à Copacabana por ti;
Por ti, vou de Sampa à Hollywood.
Então, por favor, me ajude!

Partiu-se em pedaços a minha mente.
Sei que já enlouqueci totalmente;
Aguardando, compondo, cantando,
Desejando e rezando em minhas noites,
Desde que te vi certo dia na Bienal.

13/12/2016

Petricor aos meus pés!

Sabe-se que quando as primeiras gotas da chuva atingem o chão,
a camada do solo fica bagunçada.
Talvez,
a natureza queira nos mostrar que a vida
é aquela bagunça da gota que cai perfeita do céu,
ao impacto que causa no chão.

O petricor exala,
e se solta pela terra molhada.
Petricor é o nome que se dá
ao aroma que a chuva provoca ao tocar o solo.
É o cheiro refrescante que sobe.
É a palavra que descreve o cheiro indescritível.
Sempre penso nisso quando a chuva me toma pela inocência,
e me banha por inteiro.

Escute.
As gotas de água chegam ao chão,
e enobrecem nossa alma.
Elas descem pelas janelas.
Veja!

A natureza que nos lava a alma,
e circundam nossos pés.

02/11/2016

Mas, quantas almas são belas?


Ela deixou o coração em casa
Vestiu só a alma.
Não que não gostasse dela
Não era bela mesmo
Mas, quantas almas eram belas?


26/02/2016

E se eu morresse amanhã? #2


Estaria em paz com a minha consciência,
ou teria deixado mágoas para trás?
Se fosse eu,
a vida já teria realmente se esgotado,
ou ainda teria uma missão
que deveria ter sido cumprida,
mas seria sepultada
junto ao meu corpo frio?

Se eu morresse,
quantos sonhos
seriam deixados para trás,
quantas vidas não teriam
se cruzado com a minha?

09/02/2016

Ela apenas queria...


Ela queria
Abraçar o mundo
Mas seus braços tão pequenos
Mal embalavam uma pessoa.

Ela queria
Ser diferente.
Mas não percebia
Que já era única,
À sua maneira.

Ela queria
Viver tudo de uma vez só.
Mas aprendeu que é com calma
que as coisas acontecem.

22/01/2016

#4. Como escrever poemas?

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?

Como eu havia comentado na postagem Por dentro dos gêneros literários, o tema desta sexta-feira seria... (que rufem os tambores): Construção de Poemas. 

Eu havia me programado para falar sobre outro assunto, mas devido alguns pedidos, mudei o tema de hoje para explicar um pouco sobre o poema e a poesia, e como escrevê-la.

De início, é bom explicar a diferença entre um poema para uma poesia. A diferença pode até ser pequena, mas existe.

Poema: Pertence ao gênero lírico, tendo seu texto composto por versos e estrofes. Possui elementos como a musicalidade, metáforas, subjetividade para com o eu lírico. O poema é a construção em versos de uma narrativa, podendo apresentar, ou não, rimas em suas estrofes.


E agora, Maria? 
Onde está o amor 
Que de tanto ouvi falar? 
Onde minha vida se perdeu? 
Por caminhos tão difíceis de seguir.

E agora, Maria? 
O que faço com a miséria
Que a alma me assola? 
Com meu coração
Que de tão duro não se amola? 


Poesia: É a vida. Ela está em todos os elementos existentes do nosso cotidiano. Pode ser vista em uma bela paisagem, uma fotografia, um texto, um abraço, uma trilha na floresta. Enfim, a poesia não está somente relacionada à literatura. Está em nossas atitudes criativas sob nossa percepção de mundo. Eu sou poesia. Você é poesia. A vida é nossa maior poesia. 

17/01/2016

E agora, Maria?


E agora, Maria?
O ano mal começou
E a vida já bagunçou
Tudo outra vez.

E agora, Maria?
Você que não larga o José,
E o marasmo
Que não sai do meu pé,
Quero viver estes dias
Outra vez.

09/11/2015

Cecília Meireles: 51 anos sem a poetisa


Hoje faz 51 anos desde que Cecília Benevides de Carvalho Meireles (sim, eu pesquisei o nome completo no Wikipédia.), deixou nosso mundo. Ela, que foi - e ainda é - um dos grandes nomes da literatura nacional, minha Musa inspiradora em poemas, dona de uma sensibilidade admirável sobre o mundo.

Para quem já teve a sorte de se deliciar com um de seus poemas, entende a leveza à alma que boa parte deles trazem. Alguns, podem até mesmo nos levar à reflexão e a pensamentos tristes pela profundeza de significados que carregam, mas todos, são especiais a seu modo.

Quer conhecer um pouco do trabalho dela? Selecionei meus poemas favoritos para vocês!

Pássaro da Lua 

Pássaro da Lua, 
que queres cantar, 
nessa terra tua, 
sem flor e sem mar?

Nem osso de ouvido, 
pela terra tua. 
Teu canto é perdido 
pássaro da lua... 

Pássaro da lua, 
por que estás aqui?
Nem a canção tua 
precisa de ti. 


Cântico VI

Tu tens um medo: 
Acabar. 
Não vês que acaba todo o dia. 
Que morres no amor. 
Na tristeza.
Na dúvida. 
No desejo. 
Que te renovas todo o dia. 
No amor. 
Na tristeza. 
Na dúvida. 
No desejo. 
Que és sempre outro. 
Que és sempre o mesmo. 
Que morrerás por idades imensas. 
Até não teres medo de morrer. 

E então, serás eterno. 


Retrato 

Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos vazios, 
nem o lábio amargo. 

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face? 


Cântico XIII

Renova-te. 
Renasce em ti mesmo. 
Multiplica os teus olhos, para verem mais. 
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo. 
Destrói os olhos que tiverem visto. 
Cria outros, para as visões novas. 
Destrói os braços que tiverem semeado, 
Para se esquecerem de colher. 
Sê sempre o mesmo. 
Sempre outro. Mas sempre alto. 
Sempre longe. 
E dentro de tudo. 


Cântico II

Não sejas o de hoje. 
Não suspires por ontens. 
Não queiras ser o de amanhã. 
Faze-te sem limites no tempo. 
Vê a tua vida em todas as origens. 
Em todas as existências. 
Em todas as mortes. 
E sabes que serás assim para sempre. 
Não queiras marcar a tua passagem. 
Ela prossegue:
É a passagem que se continua. 
É a tua eternidade. 
És tu. 


Gostaram? Já conheciam algum poema de Cecília Meireles? Quero saber o favorito de vocês, hein! 

Até a próxima, Ju Rodrigues. 

01/09/2015

Ode à Primavera - Manhã de Setembro


Agosto se vai,
desanuviado pelo tempo.
Levando as tempestades da alma,
que tomaram meu calento.

Oh, Setembro!
Traga seus raios de sol,
leve a tempestade embora,
e deixe tudo prol.

Chuva de agosto,
deixe-me viver setembro,
mesmo que à contragosto,
quero ode à primavera.

Oh, Primavera!
Tão linda.
Tão clara.
Tão serena.
Deixa florescer em meu peito,
sua rosa-damascena.

O frio se vai.
Em São Paulo não tem geleira.
Os dias cinzas estão indo embora.
As cores estão vivas.
Tão lindas.
Tão claras.
Tão serenas.
Setembro chega.
Sua beleza nos fascina.
A primavera logo vem.
Este mês será melhor do que imagina,
pode acreditar em mim, meu bem!

13/07/2015

E se...?


E se o céu não for mais azul
E a neblina encontrar o amanhecer.
E se o sol cruzar com a lua
E o eclipse acontecer?

E se os bancos vazios dos ônibus
Nada mais forem do que as almas
Deixadas para trás.
E se a vida fosse maior
Do que o amor que lhe satisfaz?

E se na delicadeza
Do voar uma borboleta
Você encontrasse o seu bater de asas
E reclamasse menos por achar
Que ainda não deixou o casulo?

E se o futebol de botão
Representasse a marca da sua infância
Que você dividiu com seu irmão
E hoje já não divide mais?

E se você descobrisse
Que vem levando uma vida
Toda errada.
Que em nada se encaixa
Em quem você é!

E se...

E se você se sentisse
Menor do que uma gota no oceano.
Mas não soubesse
Que o oceano não mais é
Do que várias gotas juntas. 

E cada gota, 
Tem um valor único
Para o volume total 
Da imensidão toda no oceano. 

E se você quisesse gritar
Mas sem a intenção de ser escutado.
E se quisesse chorar,
Mas que nenhuma lágrima em seu pranto
Fosse derrubado.

E se a vida fosse mais do que isso?
E se a vida fosse mais do que você pode ver.
Mais do que pode notar.
Mais do que pode tocar.
Escutar.
Amar.
E viver.

E se a vida,
fosse tudo aquilo que você pode ser,
Você seria? 
Ou lamentaria pela neblina ter encoberto a estrada,
Pelo sol não ter encontrado a lua.
Por você não ter a vida que quer
Para chamar de sua?

04/02/2015

Rosa Púrpura - Carlos Augusto Nogueira


“Da mais reluzente rosa púrpura
                                   Caem intensas gotas de orvalho
                                   Que vão se evaporando, à medida que diminui
                                   A distância dos raios solares...

                                   E, as noites frias e chuvosas cedem lugar
                                   Ao mais intenso calor
                                   E, dissipam a solidão...

                                   Quem regará a rosa púrpura?
                                   Do céu, partem nuvens carregadas
                                   Do sol, surge a esperança
                                   De que seus raios voltarão...

                                   Se o sol, com seus raios persistir
                                   A rosa púrpura se desintegrará
                                   E restarão apenas seus espinhos...

                                   E então, ela perderá o seu encanto
                                   E só nos restará

                                   Apagar as luzes ““...

15/01/2015

Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade


Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desjeo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desafiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais que a noite.